
O xodó do nosso moquifo
| UMA BOMBA PRESTES A EXPLODIR |
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| Seg, 31 de Janeiro de 2011 06:42 |
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Durante os 60 anos de jornalismo exercidos, nunca fui catalogado como muck-racker, apontado como profissional sensacionalista. Não será assim ainda hoje, quando passei a ser apenas observador dos acontecimentos nos quais, como cidadão, estou envolvido. É nessa posição que reflito e me amedronto com a situação que o Brasil viverá nos próximos anos. A posse de Dilma Rousseff na presidencia da Republica faz evocar a pioneira Vida Goldstein, uma australiana que, em 1903, mostrou ser possível à mulher aspirar e disputar os mais altos estamentos do Poder. Desde então, nesses mais de 100 anos, pouquíssimas mulheres no nosso hemisfério chegaram tão longe,como na Argentina, no Chile,e agora no Brasil. É assim que a uma mulher, forjada no underground da luta contra a ditadura, eleita para dirigir nosso País nos próximos 4 anos, competirá apagar o pavio de uma bomba de alto poder destrutivo que ameaça a ainda incipiente democracia brasileira. A presidente Dilma Rousseff vai ter que administrar e resolver, além da complicada relação com os partidos aliados, praticamente todos os assuntos pertinentes ao Poder Executivo, esquecidos ou parcialmente enfrentados pelo governo a que sucede. 1. A infra-estrutura aeroportuária do país está deteriorada, sem ter recebido do Governo os investimentos necessários para sua modernização. Os principais aeroportos do País operam 30 por cento acima de sua capacidade e há uma grande interrogação com o que irá acontecer até a instalação dos jogos olímpicos e a copa do mundo de futebol. O “aeroporto” de Vitoria é um exemplo, visto como uma estação rodoviária de cidade de porte médio, dotada uma pist concretada para descer e subir aviões. Congonhas, Tom Jobim, Guarulhos, Confins, estão saturados e não há nenhum investimento previsto para superar o problema. 2. O sistema rodoviário tem 74 por cento de sua malha em péssimas condições de trafego. E pelas estradas circulam 60 por cento do contingente de pessoas e de carga no País. O Governo praticamente nada fez para minorar a situação: do total de 7, 95 bilhões previstos para investimento no setor, somente 4,7 bilhões foram aplicados até setembro do ano passado. 3. A baixa eficiência dos portos brasileiros é também uma conseqüência da falta de estrutura dos acessos rodoviários, ferroviários e marítimos, excesso de burocracia, custos elevados de serviços, falta de conteineres para carga. A conseqüência foi um prejuízo, apenas para o agronegócio, de US$ 2 bilhões em apenas um ano. O porto de Vitoria é, ainda aqui, um bom exemplo. Em penúltimo lugar no ranking dos piores portos brasileiro, viu seu terminal – durante muitos anos a principal porta de saída de produtos vindos da Bahia, Goiás e Minas Gerais – entrar em colapso. Para melhorar a eficiencia dos portos, o Governo terá que investir no mínimo 43 bilhões de reais. Esses valores não constam do Orçamento para 2011. 4. A divida interna do Brasil era de R$ 892 bilhões em 2003. Em 2009, de R$ 1,40 trilhão, devendo ter fechado 2010 na fantástica cifra de 1,73 trilhão de reais, um crescimento de 94% em 8 anos. Essa divida é decorrente das despesas do Governo no atendimento de suas funções típicas, como saúde, educação, segurança, nos gastos com os juros da divida e da política monetária e cambial. O Governo tem gastado mais do que arrecada e o preço para isso é elevado, como o ônus do “spread” (diferença entre a taxa básica de juros, Celic, e os juros efetivamente pagos.) Perde o governo, ganham os bancos. Sombras escuras a ameaçadoras pairam sobre esse sensível e vital setor da vida brasileira. 5. O Brasil se encontra na humilhante 76ª posição no índice que mede progressos na área da educação, abaixo de países como Bolivia, Paraguai,Equador, Moçambique, Etiopia e Bukina Fasso . Estão no Brasil 40 por cento dos adultos analfabetos da America Latina. 6. O IBGE aponta um quarto da população com algum déficit alimentar; déficit de 7 milhões de habitações, com ponderável parcela da população em condições sub-humanas nos núcleos favelados sem acesso ao atendimento médico-hospitalar. Um dos mais adiantados programas de saúde do mundo tem sido negligenciado, exigindo para sua efetiva execução recursos da ordem de 59 bilhões de reais ano, dos quais 33 bilhões do governo federal, 13 bilhões dos estados e 13 bilhões dos municipios. São 100 dolares ano por pessoa. Outros paises em desenvolvimento como o nosso aplicam em media 500 dolares e os desenvolvidos 5 mil dólares ano por pessoa. 7. Para cobrir essas despesas, o Governo necessita arrecadar impostos. E os tributos cobrados no Brasil já assumem patamares insustentáveis. O brasileiro paga percentual sobre sua renda, mais o INSS. Paga sobre seu patrimônio, principalmente IPTU e IPVA. Paga tributos sobre o consumo, aquele conjunto de impostos já embutidos no preço final dos produtos e serviços. Em media, 18 por cento sobre a renda, 3 por cento sobre o patrimônio e 23 por cento sobre o consumo. Um total de 44 por cento do seu rendimento bruto. No supermercado, somando-se alimentos, produtos de higiene e limpeza, principalmente, a incidência de impostos é de 30 por cento sobre o preço final. O brasileiro trabalha 140 dias por ano (4 meses e 20 dias) somente para pagar tributos. É assim que nos cofres publicos ingressam por segundo 23 mil reais (70 por cento federais, 26 por cento estaduais e 4 por cento municipais). A presidente Dilma Rousseff terá que enfrentar essa herança e ainda coordenar os 37 ministerios ocupados por personalidades de comportamento político nem sempre compatível com os altos postos que ocupam. Devemos dar à nova presidente, uma mulher cuja fibra ninguém poderá negar,um voto de confiança – mais ainda de esperança – para livrar o nosso grande pais do labirinto em que a prepotência, a empáfia e a arrogância de governos anteriores o fizeram se perder. |
| Última atualização em Seg, 21 de Fevereiro de 2011 20:47 |

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